Mês: julho 2017

O RS e a Rocha Fosfática – Parte I (por C. Renato B. Da Silva)

O RS e a Rocha Fosfática – Parte I (por C. Renato B. Da Silva)

Parte I

(por C. Renato B. Da Silva)

Desde a década de 60 a agricultura gaúcha tem se desenvolvido acentuadamente. Paralelo a isto a indústria de insumos cresce também vertiginosamente. Agronomicamente este crescimento está sustentado no uso de insumos, entre os quais o fertilizante tem posição destacada. O uso de corretivos de ph, adubações corretivas e de manutenção de N, P, K, são tecnologias validadas e de uso corrente entre os agricultores. Decorrência disto, a produtividade e a produção agrícola cresceram significativamente e continuam crescendo até hoje.

Ora o crescimento do plantio agronomicamente correto, pressupõe o uso de fertilizantes a níveis adequados, não só para corrigir, mas também para repor os elementos retirados pela colheita, de maneira que os níveis de fertilidade melhorem e mantenham-se a níveis desejados. Nas décadas de 60 e 70, instalaram-se várias indústrias de fertilizantes no Rio Grande do Sul, como Adubos Trevo, Fertisul e Serrana, todas elas na cidade de Rio Grande; um porto marítimo, pois três coisas são fundamentais para a produção de fertilizantes de N, P, K: os minérios de P2 O5 e K, e a ureia, que é de origem do Petróleo. Um porto, onde estes componentes usados em grande escala e importados, chegam através de navios, barateando o seu custo e viabilizando o seu uso pela agricultura.

Seis décadas depois, o consumo de fertilizantes aumentou, a produção e a produtividade agrícola também. Para o elemento de maior deficiência nos solos da nossa região, no caso, o fósforo, importamos para a produção no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, 100% da rocha fosfática de países como o Marrocos, Argélia, Líbia, Israel e Togo. O custo do transporte onera muito o preço final do produto em Rio Grande. Divisas são gastas para pagarmos os custos da extração e transporte até o porto.

O produtor que é o usuário final, paga este custo, e o do transporte até sua propriedade, o que não é pouco. Mas isto pode mudar no curto prazo. Novas possibilidades muito positivas, trazem ótimas perspectivas para nossa região, seja na produção industrial, seja na produção agrícola, seja na exportação e em toda cadeia envolvida, através da geração de trabalho e renda para todos.

Renato B. Da Silva, Engenheiro Agrônomo, Coordenador da ITEC/UCS. Universidade de Caxias do Sul.