Mês: abril 2019

6 coisas que você precisa saber sobre o Projeto Fosfato

6 coisas que você precisa saber sobre o Projeto Fosfato

6 coisas que você precisa saber sobre o Projeto Fosfato

Incentivar a economia do Rio Grande do Sul e reduzir a dependência de matéria-prima para as indústrias gaúchas produtoras de fertilizantes são alguns dos principais objetivos do Projeto Fosfato. A seguir, você conhecerá um pouco mais sobre este empreendimento que prevê um investimento superior aos 100 milhões de dólares na região.

1- A região das Três Estradas não é rica em terras-raras

Terras-raras são um grupo de 17 metais encontrados em diferentes camadas do solo que servem de matéria-prima essencial para itens de alta tecnologia. Conhecido como o “ouro do século XXI”, por sua raridade e alto valor econômico, recebem este nome porque localizá-los com o grau de pureza e concentração necessárias é bastante incomum. A região das Três Estradas, onde irá ocorrer a mineração de Fosfato, não é rica nestes metais e por isso não é economicamente viável a atividade de extração de terras-raras neste local. O Projeto Fosfato Três Estradas, localizado em Lavras do Sul, tem como único objetivo de extrair, beneficiar e comercializar o minério de fosfato e o calcário calcítico, para produção de matéria prima para a indústria de fertilizantes e de corretivo agrícola, respectivamente.

2- O projeto suprirá a demanda de fosfato o Estado por mais de duas décadas

O Brasil responde hoje por 80% do consumo de fosfato da América Latina e importa quase metade da rocha fosfática que necessita. No caso do Rio Grande do Sul, grande consumidor de fertilizantes em razão de sua vocação agrícola, todo o fósforo que alimenta a indústria de fertilizantes é importado de países do norte da África. O Projeto Fosfato tem como objetivo realizar o aproveitamento econômico de uma jazida que poderá suprir, por mais de 20 anos, boa parte da necessidade de fosfato no Estado.

3- A mineração de fosfato não está associada à contaminação radioativa

Quase a totalidade do fosfato produzido no Brasil é proveniente de carbonatitos (rochas que contém mais de 50% de minerais). Apesar de possuírem notável vocação para conterem depósitos de Urânio e Tório (dois materiais radioativos), existem centenas de carbonatitos que não possuem esses elementos. Este é o caso do material encontrado nas Três Estradas. Os resultados das análises radiométricas efetuadas nos testemunhos de sondagem não revelaram nenhum tipo de radiação no carbonatito da região, o que garante que este não é um foco de contaminação radioativa.

4- O projeto terá um impacto positivo na pecuária do Rio Grande do Sul

A mineração de fosfato não irá produzir qualquer efeito ou provocar qualquer contaminação que possa prejudicar a agricultura ou pecurária da região. Pelo contrário! O fosfato é um ingrediente mineral utilizado na produção de rações e suplementos.  A suplementação na alimentação de bovinos, aves e suínos garante melhor desenvolvimento corporal, maior ganho de peso e, consequentemente, maior produtividade. Mais de 80% do fosfato produzido globalmente é aplicado como fertilizante para ajudar na produção de alimentos para a crescente população mundial. Estudos do IFA (The International Fertilizer Industry Association) sobre a demanda mundial de fertilizantes situam o Brasil entre os principais consumidores mundiais. A demanda crescente por alimentos aliada à necessidade de redução do desmatamento exige que as terras produtivas sejam usadas de forma mais eficientes e sustentáveis. Nessa perspectiva, empreendimentos como o Projeto Fosfato são fundamentais para reduzir nossa dependência externa de fertilizantes e enriquecer a pecuária do Estado.

5- As águas no entorno do Projeto Fosfato não terão problemas de eutrofização

A eutrofização é o crescimento excessivo de plantas aquáticas para níveis que afetem a utilização normal e desejável da água. O fator substancial para este aumento é a maior concentração de nutrientes, essencialmente o nitrogênio e o fósforo. O projeto da Águia nas Três Estradas não trará este problema, uma vez que o fósforo que será retirado na região é do tipo P2O5 (complexado com o oxigênio), diferente da forma iônica PO4 que traz o problema da eutrofização para a água.

6- A região minerada é devolvida recuperada ambientalmente para a comunidade

A Águia é uma empresa que se preocupa com o meio ambiente, seguindo rigorosamente as recomendações legais do país. Toda atividade de mineração tem plano de instalação e também plano para fechamento da mina. Passados os anos previstos de atividade, a área será devolvida recuperada do ponto de vista estrutural e ambiental. A maneira como isso ocorrerá dependerá do projeto final das instalações (tamanhos das estruturas, atividades públicas e privadas desenvolvidas no entorno, por exemplo). Além disso, o plano pode ser desenvolvido em conjunto com a comunidade, atendendo demandas da região.

GENTE DE LAVRAS – Prof. Bayard

GENTE DE LAVRAS – Prof. Bayard

“Descendente de um lar modesto, Zeferino da Silva Teixeira, deixou aos seus pósteros o exemplo de uma vida, pois, ele foi, em suma, um bravo lutador, na verdadeira acepção da palavra.”

Em seu livro “Lavras do Sul na Bateia do Tempo”, de 1992, Edilberto Teixeira terminava com a frase acima a nota biográfica sobre Zeferino da Silva Teixeira, figura importante para Lavras do Sul, falecido no final da década de 70. Com certeza, se hoje o livro fosse reeditado, figuraria entre os homenageados deste capítulo, seu filho, um dos cidadãos mais conhecidos e reconhecidos entre os lavrenses: Ítalo Bayard La-Rocca Teixeira.

O professor Bayard, hoje com 81 anos, me recebeu para a entrevista na sua casa, em um escritório onde as paredes ajudam a contar um pouco da história do ex-prefeito mais lembrado pelos lavrenses. Diplomas e certificados que atestam a trajetória vitoriosa, de anos dedicados às salas de aula e à política.

“Eu terminei o curso científico em Porto Alegre, no colégio Júlio de Castilhos e resolvi com meus pais que iria ficar um ano em casa para descansar e depois voltaria para prestar o vestibular. Mas cheguei aqui e me convidaram para lecionar matemática no ginásio da Escola Licínio Cardoso que estava recém iniciando suas atividades.”

Para ser efetivado como professor, Bayard fez o Curso de Suficiência em Matemática na Faculdade de Passo Fundo. “Dessa forma consegui o registro pelo Ministério da Educação, e só parei de lecionar quando me aposentei. Só fiquei sem dar aula nos mandatos como Prefeito.”

Logo que retornou para a cidade, houve um grande evento social, o aniversário de 15 anos da amiga Lígia Bulcão, filha do então prefeito Breno Bulcão. “Na ocasião do baile na casa da Lígia, eu vi a Helena e a tirei para dançar e foi aí que tudo começou. Casamos em 18 de fevereiro de 1961, este ano completamos 58 anos de matrimônio” comenta orgulhoso.

Ele conta sorrindo que da relação nasceram quase que em forma de escadinha Rosa Helena, Rogério, Cristiane, Ricardo, Ronaldo e por último o Rafael. “Não programamos tantos filhos, mas eles foram vindo. Ainda tivemos um depois do Rafael, mas acabou falecendo no parto. Hoje tenho sete filhos, 11 netos e um bisneto”.

Já satisfeito com sua função no meio escolar, uma brincadeira de um amigo o pegou de surpresa: “Logo que voltei pra Lavras encontrei com o Tauro de Bem, meu contemporâneo, e ele me cumprimentou dizendo: Bom dia, Prefeito! Aquilo me surpreendeu, mas ele disse que eu deveria ser candidato. E aí surgiu a ideia, formamos uma turma e concorri à prefeitura em 1972.”

A primeira campanha seu vice, Dadá Budó e ele não obtiveram êxito. “Perdemos a eleição para o Adão Gordo, mas quatro anos depois já viemos embalados. Trocamos o vice da chapa, o Jaudens Machado acrescentou muito na campanha e como eu já estava bastante entrosado com a juventude da cidade por ser professor e por ter liderado uma campanha em prol da construção de uma nova escola, e ele por ser do Ibaré, conseguimos arrecadar muitos votos.”

Acontece que na ocasião os partidos eram apenas dois: Arena e MDB. Cada um deles poderia colocar mais de uma chapa e o somatório das duas consagrava o vitorioso. “Do nosso lado concorria eu e o Dr. Breno, e pelo MDB o meu tio Dante, e o Sr. José Souza. O Tio Dante fez mais votos que eu, mas na soma acabei vencendo e assumi pela primeira vez a prefeitura, aos 39 anos de idade.”

Foi nessa época que o Bayard se consagrou como até hoje é reconhecido: o melhor prefeito que a cidade já teve. “Comandei o primeiro mandato com uma equipe toda nova, o José Adolfo era meu Secretário de Obras, e fizemos uma série de mudanças pela cidade.”

 “Tudo era muito diferente naquela época, o funcionalismo pegava parelho no trabalho. Tínhamos uma turma muito unida pelo crescimento e desenvolvimento da cidade. Certo dia, na falta de um caminhoneiro que adoeceu, o Adolfo e eu fomos cumprir o dia de trabalho no campo.”

O questionei como era a relação da esposa com a política e ele prontamente respondeu: “A Helena assumiu como primeira dama de forma completa. Tomou conta do setor de assistência, era a presidente local da Legião Brasileira de Assistência e trabalhou muito com as mulheres da cidade. Construímos em todos os bairros seus Centros Comunitários e foi feito um trabalho muito importante com as hortas caseiras, os artesanatos. Enfim, ela pegou junto, e ainda cuidava das crianças em casa.”

Em um relatório da administração, produzido para divulgar os feitos daquele primeiro mandato o prefeito escreveu: “Agir com honestidade e dispender o maior esforço possível, foram as únicas promessas de ontem. Seis anos depois, além disso, é reconfortante ter muito mais para mostrar.”

Depois deste vieram mais dois mandatos: um de 1989 a 1992, seu vice era o advogado Dilson Delabary, e por último de 1997 a 2000, com o ex-genro Paulinho como vice. Bayard ainda foi Secretário de Indústria e Comércio na primeira gestão do Paulinho Souza como Prefeito e foi nesta época que resolveu se afastar da política. “Eu saí da política porque me desentendi com um ex-colega. Na época eu era Secretário de Indústria e Comércio e não concordei com algumas coisas que aconteceram. Saí para nunca mais voltar, e não quis mais saber de partido e de política. Faz três eleições que sou isento e não voto mais. Mas leio muito, e meu lazer é acompanhar os noticiários e ver a bagunça que está tudo isso.”

Os números impressionam e não o deixam mentir, mais de 300 obras entre sede e interior foram realizadas durante suas gestões. Foi no seu governo que surgiram as Vilas Dr. Bulcão, Olaria, Militar, Cohab e Promorar e também foi de sua equipe a responsabilidade pela construção de grandes obras como o Ginásio Municipal, a Estação Rodoviária e o Auditório Municipal (que hoje abriga a Rádio Pepita FM), o prédio da Delegacia de Polícia, o CEBEM, o complexo todo da Praia do Paredão, e ainda mais de duas centenas de casas de moradia popular.

Mais caseiro e curtindo a família, ele fica feliz com a relação que manteve com seus conterrâneos durante essas oito décadas da vida. “Sempre fui muito bem recebido por todos os lavrenses, tive poucas inimizades nestes anos como gestor, mas isto é natural no meio político.”

Ele conta que apesar de dois dos filhos terem pensado em seguir seus passos não tiveram sucesso. “Cada um buscou seu rumo, e cada um deles com suas escolhas está feliz, o que me deixa orgulhoso.”

Apesar de estar mais recluso, o ex-prefeito ainda acompanha todos os movimentos sociais e culturais da cidade e vislumbra um futuro promissor para a cidade. “Lavras tem uma agricultura e uma pecuária muito forte, mas infelizmente estes são setores que sozinhos não tem condições de manter a cidade porque geram poucos empregos. Acho que a cidade já está sentindo os efeitos da mineração, lavrenses já foram empregados, o setor imobiliário teve um acréscimo e o comércio está sentindo positivamente esse movimento.”

“Lavras tem tudo para a gente viver bem, mas apesar do medo de algumas mudanças, quero o melhor para minha cidade. Nasci, vivi e trabalhei aqui e acho que cumpri com a minha missão profissional e pessoal e desejo que todos consigam fazer o mesmo.”