Mês: dezembro 2019

Entre bisturis e livros: o lavrense contador de histórias

Entre bisturis e livros: o lavrense contador de histórias

A memória e a vivacidade deste senhor de 76 anos refletem com exatidão a belíssima jornada de vida que teve. Anos de dedicação exclusiva aos estudos, um amor que lhe rendeu filhos e netos e a profissão que definiria sua rotina até os dias de hoje.

Dr. Blau Fabrício de Souza, lavrense e médico cardiologista, me recebeu para uma conversa na sala que leva o nome de seu falecido irmão, Jacques. “Tive uma relação muito boa com meus irmãos. Quando Anita, a primeira esposa do meu pai faleceu, ele se viu sozinho com seis filhos para criar, e começou a contar com a ajuda da Medora. Ela era irmã de Anita, e por isso relutou muito quando viu que a proximidade tinha virado uma relação” comentou Blau. “Minha mãe foi muito importante na vida de nós, filhos legítimos, mas também na vida dos sobrinhos que terminou de criar” completa.

Ao todo foram 10 filhos do Crispim: Hélio, Martha, Vera Maria, Magda Thereza, Maria Rita e Nemo do primeiro casamento; Blau, Jacques, José Antônio e Crispim Filho do segundo.

Apesar da proximidade com os irmãos e pais, a convivência familiar foi interrompida muito cedo, quando Blau, aos 11 anos foi para o internato em Bagé. “Até ir para o Colégio Auxiliadora éramos educados em casa. Foi uma fase importante em que me lembro de muitas coisas agradáveis”. Aos risos, ele conclui: “mas minha memória não me deixa esquecer de uma lembrança ruim: não havia banho quente na escola, então inverno e verão precisávamos encarar a água gelada!”.

Os anos no educandário da cidade vizinha ajudariam a formar um cidadão estudioso ou, como ele mesmo cita na apresentação de um de seus livros, “a cidade de Bagé o prepararia para enfrentar o mundo ou com ele conviver”. Por anos as visitas à família só aconteciam nas férias e foi só após a ida das irmãs para a Rainha da Fronteira (apelido da cidade de Bagé) que Blau voltaria a conviver semanalmente com os pais e irmãos.

“Meu pai não me viu entrar na Universidade, morreu um pouco antes e minha mãe tinha meus irmãos para cuidar. Então coloquei na cabeça que não dependeria dela. Fui para Porto Alegre, estudei, passei em um concurso público e banquei minha estadia na capital para poder cursar a Medicina”.

Foi nesta mesma época que Blau e Flora, sua esposa há mais de 55 anos, se conheceram. Ao lembrar do assunto, o cardiologista não consegue conter o sorriso: “ela teve torcicolo de tanto olhar para cima”. A brincadeira se deve ao fato de que sua futura esposa residia em um apartamento no andar de baixo do seu. “Levamos pouco tempo para casar, e em três anos já tínhamos nosso primeiro filho, Rodrigo. Então quando me formei como médico, já havia formado também uma família. Logo chegaram mais dois filhos, Denise e Diogo. Hoje todos já me deram netos e somos avós coruja de seis netos”.

Em 1965 Blau completou o curso de medicina na UFRGS, logo fez residência em cirurgia cardiovascular no Departamento de Cirurgia da mesma instituição e, em 1972, complementou sua formação fora do país, consquitando o título em Cirurgia Torácica e Cardiovascular na Cleveland Clinic nos Estados Unidos. Sua vida profissional como cirurgião cessou em 2016, no Hospital N. S. da Conceição em Porto Alegre.

“A medicina me ocupou e me deu tanta satisfação que sigo trabalhando em prol da profissão. Por isso tenho ficado em Lavras menos do que gostaria, já que ainda sigo minhas atividades na Academia de Medicina, no Instituto Histórico e no Centro Cultural da Santa Casa, em Porto Alegre”.

Segundo Blau, a relação com Lavras do Sul, entretanto, nunca foi rompida: “Na verdade, nunca sai de Lavras, numa infância que já vai longa, acho que ainda sou o guri da campanha que vinha na cidade só para cortar o cabelo”.

A paixão pela escrita o acompanhou desde a infância. “Sempre gostei de escrever, de fazer redações, mas meu primeiro livro só surgiu com 50 anos”. Blau é autor de sete livros e de centenas de publicações entre revistas, crônicas e contos. Foi seu primeiro livro, “De todo laço”, lançado em 1992, que o tornou reconhecido por todos os lavrenses.

“Em um dia de nevasca em Cleveland me peguei pensando: o que um cara de Lavras está fazendo por aqui? E surgiu a ideia de contar um pouco sobre a história da família. De repente, quando percebi, o livro virou uma referência da história da cidade”.

De lá para cá participou de inúmeros cursos para, segundo ele, melhorar a escrita. E mesmo com a medicina ocupando tanto tempo de sua vida conseguiu tempo para tocar a propriedade rural da família em Lavras do Sul. “Tenho um irmão de criação, o Ary, é ele quem me ajuda na Salamanca (nome da propriedade no interior de Lavras do Sul). E o Diogo, meu filho mais novo, também está sempre por lá”.

Hoje Blau continua vivendo entre Lavras e Porto Alegre, e ainda sobra tempo para o lazer entre os amigos. “Em casa, no meu dia-a-dia, sempre tive uma vida bem ativa. Não posso mais jogar futebol, e eu era um razoável jogador, mas um problema no joelho me impediu de continuar neste esporte” comenta modestamente às gargalhadas e completa “hoje só jogo golfe, mas sou um péssimo jogador. O importante são as conversas e as caminhadas durante as partidas. Saio com os amigos e esta é uma atividade bastante prazerosa”.

Ele conta que se pudesse resumir sua vida em uma música, certamente seria “Gracias a La vida” da cantora argentina Mercedes Sosa. Terminamos nossa conversa com a notícia de um novo livro para comemorar a chegada dos 80 anos. Mais alguém ficou ansioso?

Águia Fertilizantes apresenta Projeto Fosfato para Agência Nacional de Mineração

Águia Fertilizantes apresenta Projeto Fosfato para Agência Nacional de Mineração

A convite da Agência Nacional de Mineração (ANM), em Porto Alegre, a Águia Fertilizantes realizou uma apresentação, na última quinta-feira (05), sobre o Projeto Fosfato Três Estradas. Tratando desde o início da pesquisa até o recente projeto de implantação.

O Diretor da Empresa, Fernando Tallarico, abriu o evento falando sobre o trabalho realizado pela Águia e relatou tudo o que já foi investido no estado do Rio Grande do Sul.

Logo após, o Gerente de Geologia do Projeto, Lucas Galinari, falou sobre a pesquisa efetuada na área e, a forma como tudo transcorreu desde o início.

Na sequência, Luiz Clerot, Gerente de Implantação do Projeto Fosfato Três Estradas, comentou sobre a fase atual – após a obtenção da Licença Prévia (em outubro passado), e detalhou informações sobre o produto a ser explorado e a importãncia e relevância dele para o Estado.

Mineração e o Fechamento de Mina: Dias atuais

Mineração e o Fechamento de Mina: Dias atuais

Muito falamos sobre como irá funcionar o processo da mineração do Fosfato em Lavras do Sul, mas entendemos alguns medos e receios que a população local ainda tem com relação aos impactos que isso irá causar na comunidade após o fechamento do empreendimento.

Os ciclos de mineração que aconteceram na cidade terminaram de maneira abrupta, já que naquela época não estava previsto em lei a obrigatoriedade de um plano para fechamento de mina.

Este planejamento influencia diretamente o modo de vida, a maneira de agir e pensar no mundo social e econômico das comunidades, com reflexos, inclusive, no âmbito da ordem jurídica pós término do projeto. Então, atualmente, o fechamento, é compreendido como um processo que acompanha toda a vida produtiva do empreendimento mineiro.

Durante séculos, as minas simplesmente eram abandonadas. Porém, nas últimas décadas, com o forte movimento ambientalista dos anos 70, que clamava para que as companhias de mineração tivessem responsabilidade com os locais após o término dos projetos, isso mudou.

Naquela época, se a cava final e as barragens fossem cercadas e as aberturas e passagens subterrâneas fossem fechadas, a empresa estava liberada de suas responsabilidades. Restando apenas uma paisagem degradada, o que contribuiu para uma péssima fama das mineradoras com relação ao meio ambiente.

O fechamento de mina é uma etapa que deve conduzir a uma nova forma de uso do solo e de todas as áreas afetadas pela atividade de mineração. Esta etapa deve garantir que os novos usos daquelas áreas, antes ocupadas pelo empreendimento, sejam em primeiro lugar: seguras.

São compreendidas etapas do fechamento da mina o Descomissionamento, que é o conjunto de operações necessárias para garantir uma desativação da mina que possa devolver o local para outros usos pela comunidade; a Reabilitação, onde são reparados quaisquer eventuais impactos sobre o meio ambiente; o Monitoramento e Manutenção onde acontece o acompanhamento dos efeitos posteriores sobre o ambiente, após encerramento da mina, mesmo que tenha sido feita uma reabilitação da área; e por fim o Pós-fechamento que é a liberação da área para outros fins. O fechamento da mina é, portanto, responsável por deixar um legado pós mineração muito importante.

Existem alguns exemplos excelentes de bons planejamentos, um deles é a região do Parque Municipal das Mangabeiras, na cidade de Belo Horizonte (MG), um parque que é considerado a maior área verde da capital mineira e já foi uma mina da qual a antiga empresa de mineração – Ferrobel – extraiu minério de ferro entre as décadas de 1960 e 1970.

Hoje o espaço é habitado por mais de 150 espécies de aves e variedades répteis e anfíbios e 30 tipos de mamíferos, sendo possível avistar micos, gambás, esquilos e quatis. Além da flora variada que reúne bromélias, jequitibá, gabiroba entre outras várias espécies.

Feira retorna ao calendário de eventos após 13 anos

Feira retorna ao calendário de eventos após 13 anos

A Feira Lavrense de Indústria e Comércio (FELAIC) teve sua primeira edição no ano de 1983. Idealizada e organizada pela Prefeitura, na época comandada pelo Prefeito Adão Teixeira da Silveira, permaneceu funcionando por 23 anos.

A FELAIC retorna este ano através de uma parceria entre a Prefeitura de Lavras do Sul e a Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CICS) em grande estilo: com direito a shows, desfiles e o antigo concurso que coroa meninas lavrenses como Soberanas do evento.

O Projeto Fosfato Três Estradas, através do Grupo Nossa Terra, é um dos patrocinadores da FELAIC, porque acredita que a cultura, que se alimenta da arte, da literatura, da música, da dança, da culinária e de tantos infinitos particulares do ser humano deve ser zelada para não se perder.

A Feira acontece nos dias 6, 7 e 8 de dezembro, no Ginásio Municipal Fernando Pellizzer Teixeira com uma vasta programação e a diversidade do comércio local. Excelente momento para aproveitar as promoções e fazer as compras de Natal.