A importância do equilíbrio nutricional para uma boa produtividade dos animais

Assim como nós, humanos, diversos animais necessitam de uma alimentação balanceada e rica em nutrientes para obter uma vida saudável. Entre as principais substâncias que devem compor este cardápio estão os minerais, elementos inorgânicos essenciais ao crescimento, desenvolvimento e manutenção do organismo. Eles estão envolvidos em praticamente todas as vias metabólicas do organismo de mamíferos, aves e peixes, atuando na estrutura dos órgãos e tecidos e na manutenção dos fluidos corporais, por exemplo.

“Os minerais cumprem diversas funções no metabolismo dos animais, na síntese de aminoácidos, fisiologia reprodutiva, manutenção do equilíbrio ácido-base, manutenção estrutural, ações hormonais, síntese de vitaminas e muito mais”, explica o zootecnista e pós-graduado em nutrição de ruminantes, Edilberto Teixeira Farinha.

É por esta ampla atuação no metabolismo que a suplementação mineral é tão importante, principalmente para setores como a pecuária. Segundo Edilberto “a dieta exclusivamente a pasto não atende a exigência nutricional da maioria dos animais”, uma vez que apresenta deficiências de minerais importantes para seu desenvolvimento.

Entre eles está o fósforo, elemento de maior deficiência nos solos da região da Campanha gaúcha. Para a professora da Medicina Veterinária da Universidade da Região da Campanha, Cléia Siqueira, o fósforo é importantíssimo para a formação óssea, já que representa 90% das substâncias minerais deles. “O fósforo combinado com o cálcio é responsável pela formação dos ossos, mas também é um componente essencial do ATP (trifosfato de adenosina) e do CP (fosfato de creatina), componentes que fornecem energia ao trabalho biológico”.

De acordo com Edilberto, o fósforo cumpre também um importante papel na parte reprodutiva e na lactação dos animais. “Se o animal não está consumindo a quantidade de fósforo necessária por dia, irá começar a tirar das reservas, que normalmente estão nos ossos, o que causará fragilidade, diminuição do ganho de peso, da produção de leite e redução do apetite.” E a professora Cleia complementa: “As bactérias do rúmen necessitam de uma dose diária de fósforo, porque usam componentes minerais para formar aminoácidos microbianos, gorduras e, também formam os sais biliares e o bicabornato de sódio, essenciais para manter o nível máximo de digestabilidade do que consomem”.

Apesar de tão importante, esse mineral se encontra em concentrações reduzidas no pasto, a base da alimentação dos ruminantes. Por isso Edilberto explica que a suplementação de sal mineral é obrigatória o ano todo”.

A professora Cleia ressalta, ainda, que o fósforo não atua somente na formação de ossos e dentes, mas também é um importante componente dos fosfolipídeos da membrana celular que atua no estímulo da produção de hormônios reprodutivos e até do leite. “A deficiência deste mineral causa apatia, falta de energia e prejudica a função reprodutora” complementa.

Edilberto diz que além do cuidado do fornecimento, na quantidade correta de fósforo por dia, é necessário o cuidado no percentual da biodisponibilidade da fonte deste elemento. “Apenas desta forma teremos o maior aproveitamento desse importante nutriente”.

Para solucionar este problema de deficiência nos solos os produtores dependem da indústria de insumos, com destaque para os fertilizantes. Eles são responsáveis por 30% do custo dos agricultores, principalmente devido ao aumento do preço dos seus componentes.

Atualmente o Rio Grande do Sul, juntamente com Santa Catarina e Paraná, importa 100% da rocha fosfática de países como Marrocos, Argélia e Líbia. O custo deste transporte aumenta significativamente no valor final do produto no porto de Rio Grande, local onde hoje se concentram as principais indústrias de fertilizantes do Estado.

O produtor e/ou criador será o maior beneficiado com a possibilidade de exploração de rocha fosfática que surge na cidade de Lavras do Sul, região da campanha gaúcha. A produção local irá diminuir significativamente o que hoje se paga de transporte e impostos e criará uma cadeia produtiva que irá extrair e posteriormente irá trazer de volta ao solo, através dos fertilizantes, este poderoso e indispensável mineral.