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Como fica a economia mundial pós pandemia?

Os efeitos econômicos de uma pandemia são diversos e entender isso é importante para se preparar. Não temos ainda como mensurar quais serão os resultados ao final deste momento, mas olhando os números que apresentam os economistas já podemos ter alguma ideia.

Com o surto do novo coronavírus – o covid-19 – e todos os seus impactos a economia do mundo deverá crescer em sua menor taxa desde 2009. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) não se via nada parecido desde a grande crise de 2008.

Em novembro de 2019 as previsões eram de que o crescimento global seria de algo em torno de 2,9% em 2020. Porém, dependendo do tempo de duração do surto especialistas já falam em um crescimento de apenas 1,5% neste ano.

Você já deve ter ouvido falar que a Bolsa de Valores brasileira entrou em circuit breaker nos últimos dias por pelo menos cinco vezes. Este termo inglês é utilizado para dizer que todas as negociações foram paradas após o Ibovespa cair mais de 10%.

Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, afirmou esta semana que quase todas as grandes economias do mundo, entrarão, nos próximos meses, em recessão. Ele acredita que o declínio econômico é inevitável por ao menos dois trimestres.

Ainda não dá para mensurar os danos econômicos, mas já sabemos que a economia mundial está comprometida e que os mercados do mundo inteiro estão em crise e registram bilhões de dólares em valores perdidos. Então, de que forma gerenciar esta crise sem que haja danos maiores do que já vemos na saúde das populações?

Acreditamos que a cada nova informação sobre a pandemia, os especialistas terão que rever as definições para o futuro, mensurar quais as medidas mais urgentes e dar suporte para os empreendedores que, de uma forma ou de outra, irão sofrer os impactos desta pandemia.

Perspectivas para o setor da mineração

Perspectivas para o setor da mineração

De acordo com especialistas, o ano de 2020 chegou com uma excelente perspectiva de crescimento econômico para boa parte do país. Em especial para as regiões Norte, Centro-Oeste e Sul que podem registrar avanços da atividade acima da média nacional contribuindo para impulsionar o PIB brasileiro.

No caso do Sul, o motivo é porque ele continua sendo, ao lado do Centro-Oeste, a região com maior peso no setor do agronegócio, naturalmente beneficiado pelas boas safras de grãos e produção de proteínas. De acordo com o site Valor Econômico a peste suína alavancou o preço da carne brasileira, o que gerou renda para os frigoríficos, refletindo positivamente na economia.

Após um ano impactante para os profissionais da mineração, em razão do rompimento da barragem de Brumadinho em Minas Gerais, o setor busca se reerguer perante a sociedade, demonstrando seu compromisso com o aperfeiçoamento dos processos produtivos, maior transparência e adoção crescente de padrões internacionais de sustentabilidade.

O setor tem boas perspectivas para o Estado do Rio Grande do Sul em 2020. Em especial movimentado pelos projetos que estão em processo de licenciamento ambiental. No final de 2019 a FEPAM emitiu Licença Prévia para o Projeto Fosfato Três Estradas, em Lavras do Sul, que prevê 60 anos de exploração do minério na região da campanha gaúcha. Além dele ainda existem mais 3 projetos em processo de licenciamento no RS.

No início do ano, o governador Eduardo Leite sancionou o novo Código Ambiental do RS. O objetivo é desburocratizar o processo para quem quer empreender no Rio Grande do Sul sem descuidar do meio ambiente, tornando as normas mais claras e ágeis para criar maior competitividade ao Estado.

Na cerimônia de lançamento do novo código Leite disse que a Lei “atualiza e moderniza a legislação ambiental gaúcha dando condições de desenvolvimento com a devida proteção ao meio ambiente, utilizando os recursos naturais de forma responsável com as futuras gerações ao mesmo tempo em que facilita as condições ao empreendedorismo, gerando emprego e renda para todos os gaúchos”.

Devido ao aumento constante da produtividade das lavouras brasileiras o setor de fertilizantes segue em alta. O ano de 2019 fechou com um volume recorde de vendas e o crescimento do setor em quase 2%. O Brasil é o quarto maior mercado mundial de fertilizantes, atrás apenas da China, Índia e Estados Unidos. Atualmente o país importa 80% da matéria-prima relativa ao fósforo (P) e ao potássio (K), utilizados para a fabricação de diversas misturas de NPK.

O Projeto Fosfato Três Estradas agora busca a Licença de Implantação (LI). O início da operação está previsto para 2022, atendendo boa parte da demanda do Rio Grande do Sul.

Lavras do Sul completa hoje 137 anos de uma história

Lavras do Sul completa hoje 137 anos de uma história

Lavras do Sul completa hoje 137 anos de uma história que se iniciou com a mineração e que deu à campanha Gaúcha um povo reconhecido por sua simpatia e hospitalidade.

A simplicidade de suas ruas de pedra e a beleza de sua arquitetura são alguns dos atrativos do município, que hoje tem pouco mais de 7 mil habitantes. Entretanto são os encantos naturais e as qualidades culturais deste povoado que o tornam ainda mais especial.

Atualmente com uma economia voltada principalmente para a pecuária, a população comemora a perspectiva de crescimento com a chegada de um novo empreendimento de mineração. A Águia Fertilizantes, através do Projeto Fosfato Três Estradas, parabeniza os moradores da nossa querida Lavras do Sul por mais um ano de conquistas e torce para que esse laço que hoje nos une seja ainda mais estreito.

O RS e a Rocha Fosfática – Parte III (por C. Renato B. Da Silva)

O RS e a Rocha Fosfática – Parte III (por C. Renato B. Da Silva)

LAVRAS DO SUL – População atual – 7460 habitantes, Densidade Demográfica 2,9 hab/km², Taxa de analfabetismo (2010) 9,18%, PIB 2014 = R$186.905.480,00; PIB Per Capita = R$23.818,72.

Em 1992 tínhamos 9.000 habitantes, hoje temos 7.460 (2015), mas já fomos 13.000 (1950/60). Os Lavrenses abandonam sua terra na idade em que são mais produtivos, ou seja, quando estão na faixa dos 19 aos 35 anos, saem do município 28% das pessoas entre 19 e 44 anos. Abandonam a cidade em busca de melhores oportunidades de sobrevivência, 20% a mais de homens do que mulheres. A população com maior potencial produtivo abandona seu município, seus costumes, sua cultura e até mesmo sua família. É a falta de oportunidades! Uma delas é a não existência de empregos, e a outra é a falta de continuidade à escolarização.

No último censo (2010) 36,69% da população estava vulnerável a pobreza, ou seja, sobrevivia com menos de meio salário mínimo mensal, e 41,71%, não tinha o ensino fundamental e trabalhava na informalidade. Alguns índices econômicos sociais melhoraram, todos em percentuais inferiores dos municípios vizinhos e ao RS como um todo. A riqueza do município está baseada na agropecuária, e esta, cada vez menos utilizando mão de obra, devido a evolução em maquinaria e automação das mesmas, o que faz com que sejam mais eficientes e produtivas. É hora, portanto, de buscarmos novas oportunidades para invertermos esta tendência ou status quo dos indicadores do nosso município. O subsolo lavrense é riquíssimo em recursos altamente valorizados. Precisamos nos apropriar desta riqueza de forma racional e sustentável, e melhorar as condições da população atual e das gerações futuras.

A implantação da exploração da rocha fosfática, e a mineração aurífera, são boas perspectivas. A rocha fosfática, já em fase mais adiantada, deverá ser a primeira, e em sua plena operação, deverá impactar forte e positivamente a renda local. Trabalho e renda, é o que Lavras precisa urgentemente. Impacto no meio ambiente? Sim haverá, como ocorre em toda a atividade exploratória. Tecnologia para mitigar, recuperar e restabelecer existe? Sim, existe. Precisamos fazer com que isto aconteça? Sim, precisamos, sob pena de que se não o fizermos, comprometeremos o nosso futuro, mais ainda, do que o nosso presente, que já está comprometido.

(*) Renato B. Da Silva, Engenheiro Agrônomo, Coordenador da ITEC/UCS. Universidade de Caxias do Sul.

O RS e a Rocha Fosfática – Parte II (por C. Renato B. Da Silva)

O RS e a Rocha Fosfática – Parte II (por C. Renato B. Da Silva)

A demanda de fertilizantes no Brasil tem crescido de forma mais intensa que a própria produção de grãos e assemelhados. O Brasil ocupa hoje o 2° lugar no ranking de países exportadores de produtos agropecuários, sendo superado apenas pelo USA, líder inconteste do setor. Na produção e consumo de fertilizantes, ocupamos o 4° lugar, ficando abaixo do USA, União Europeia e China.
Consumimos três vezes menos que o USA e, duas vezes menos que a União Europeia. Há um espaço enorme para a produção de fertilizantes, ainda que seja mantida a área de produção atual. Particularmente nos fertilizantes fosfatados, que são de extrema importância nas adubações de nossas culturas de grãos e pastagens, pois nossos solos agrícolas são caracteristicamente pobres no elemento fósforo, temos possibilidade de crescimento intenso do uso. Sua demanda é crescente. Temos uma dificuldade séria para a produção destes; importamos 65% da rocha fosfática, que atinge a quantidade de 1.700.000 toneladas anuais. Para atender a demanda do RS, SC e PR, que é de 700.000 toneladas anuais, importamos toda esta quantidade. Não produzimos nada desta rocha nestes três Estados.

Ocorrência significativa de rocha fosfática, apenas a partir do Estado de São Paulo. As três grandes fábricas de adubo do RS, situadas na cidade de Rio Grande, importam 100% da matéria-prima (no caso, rocha fosfática) para atender a sua produção. Em termos de balança comercial, precisamos dispender U$126.000.000 anuais, para pagar a rocha fosfática que ali chega, não estando incluso neste valor o custo do frete marítimo, que onera mais ainda os valores dispendidos. Nestes custos estão incluídos os valores pagos para a mão de obra necessária para mineração e beneficiamento inicial, que ficam nos países exportadores.

Há ocorrência de rocha fosfática na nossa região, com reservas avaliadas e ainda acrescidas de novas ocorrências, inclusive de origem sedimentar, são muito benéficas e de real importância econômica e social para o RS, além dos estados vizinhos e dos municípios onde estão inseridas as reservas. A exploração racional, ética e sustentável desta riqueza é imprescindível para o resgate econômico e social de uma região deprimida por cerca de sete décadas.

C. Renato B. Da Silva, Engenheiro Agrônomo, Coordenador da ITEC/UCS. Universidade de Caxias do Sul.

O RS e a Rocha Fosfática – Parte I (por C. Renato B. Da Silva)

O RS e a Rocha Fosfática – Parte I (por C. Renato B. Da Silva)

Parte I

(por C. Renato B. Da Silva)

Desde a década de 60 a agricultura gaúcha tem se desenvolvido acentuadamente. Paralelo a isto a indústria de insumos cresce também vertiginosamente. Agronomicamente este crescimento está sustentado no uso de insumos, entre os quais o fertilizante tem posição destacada. O uso de corretivos de ph, adubações corretivas e de manutenção de N, P, K, são tecnologias validadas e de uso corrente entre os agricultores. Decorrência disto, a produtividade e a produção agrícola cresceram significativamente e continuam crescendo até hoje.

Ora o crescimento do plantio agronomicamente correto, pressupõe o uso de fertilizantes a níveis adequados, não só para corrigir, mas também para repor os elementos retirados pela colheita, de maneira que os níveis de fertilidade melhorem e mantenham-se a níveis desejados. Nas décadas de 60 e 70, instalaram-se várias indústrias de fertilizantes no Rio Grande do Sul, como Adubos Trevo, Fertisul e Serrana, todas elas na cidade de Rio Grande; um porto marítimo, pois três coisas são fundamentais para a produção de fertilizantes de N, P, K: os minérios de P2 O5 e K, e a ureia, que é de origem do Petróleo. Um porto, onde estes componentes usados em grande escala e importados, chegam através de navios, barateando o seu custo e viabilizando o seu uso pela agricultura.

Seis décadas depois, o consumo de fertilizantes aumentou, a produção e a produtividade agrícola também. Para o elemento de maior deficiência nos solos da nossa região, no caso, o fósforo, importamos para a produção no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, 100% da rocha fosfática de países como o Marrocos, Argélia, Líbia, Israel e Togo. O custo do transporte onera muito o preço final do produto em Rio Grande. Divisas são gastas para pagarmos os custos da extração e transporte até o porto.

O produtor que é o usuário final, paga este custo, e o do transporte até sua propriedade, o que não é pouco. Mas isto pode mudar no curto prazo. Novas possibilidades muito positivas, trazem ótimas perspectivas para nossa região, seja na produção industrial, seja na produção agrícola, seja na exportação e em toda cadeia envolvida, através da geração de trabalho e renda para todos.

Renato B. Da Silva, Engenheiro Agrônomo, Coordenador da ITEC/UCS. Universidade de Caxias do Sul.