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Lavras do Sul completa hoje 137 anos de uma história

Lavras do Sul completa hoje 137 anos de uma história

Lavras do Sul completa hoje 137 anos de uma história que se iniciou com a mineração e que deu à campanha Gaúcha um povo reconhecido por sua simpatia e hospitalidade.

A simplicidade de suas ruas de pedra e a beleza de sua arquitetura são alguns dos atrativos do município, que hoje tem pouco mais de 7 mil habitantes. Entretanto são os encantos naturais e as qualidades culturais deste povoado que o tornam ainda mais especial.

Atualmente com uma economia voltada principalmente para a pecuária, a população comemora a perspectiva de crescimento com a chegada de um novo empreendimento de mineração. A Águia Fertilizantes, através do Projeto Fosfato Três Estradas, parabeniza os moradores da nossa querida Lavras do Sul por mais um ano de conquistas e torce para que esse laço que hoje nos une seja ainda mais estreito.

O RS e a Rocha Fosfática – Parte III (por C. Renato B. Da Silva)

O RS e a Rocha Fosfática – Parte III (por C. Renato B. Da Silva)

LAVRAS DO SUL – População atual – 7460 habitantes, Densidade Demográfica 2,9 hab/km², Taxa de analfabetismo (2010) 9,18%, PIB 2014 = R$186.905.480,00; PIB Per Capita = R$23.818,72.

Em 1992 tínhamos 9.000 habitantes, hoje temos 7.460 (2015), mas já fomos 13.000 (1950/60). Os Lavrenses abandonam sua terra na idade em que são mais produtivos, ou seja, quando estão na faixa dos 19 aos 35 anos, saem do município 28% das pessoas entre 19 e 44 anos. Abandonam a cidade em busca de melhores oportunidades de sobrevivência, 20% a mais de homens do que mulheres. A população com maior potencial produtivo abandona seu município, seus costumes, sua cultura e até mesmo sua família. É a falta de oportunidades! Uma delas é a não existência de empregos, e a outra é a falta de continuidade à escolarização.

No último censo (2010) 36,69% da população estava vulnerável a pobreza, ou seja, sobrevivia com menos de meio salário mínimo mensal, e 41,71%, não tinha o ensino fundamental e trabalhava na informalidade. Alguns índices econômicos sociais melhoraram, todos em percentuais inferiores dos municípios vizinhos e ao RS como um todo. A riqueza do município está baseada na agropecuária, e esta, cada vez menos utilizando mão de obra, devido a evolução em maquinaria e automação das mesmas, o que faz com que sejam mais eficientes e produtivas. É hora, portanto, de buscarmos novas oportunidades para invertermos esta tendência ou status quo dos indicadores do nosso município. O subsolo lavrense é riquíssimo em recursos altamente valorizados. Precisamos nos apropriar desta riqueza de forma racional e sustentável, e melhorar as condições da população atual e das gerações futuras.

A implantação da exploração da rocha fosfática, e a mineração aurífera, são boas perspectivas. A rocha fosfática, já em fase mais adiantada, deverá ser a primeira, e em sua plena operação, deverá impactar forte e positivamente a renda local. Trabalho e renda, é o que Lavras precisa urgentemente. Impacto no meio ambiente? Sim haverá, como ocorre em toda a atividade exploratória. Tecnologia para mitigar, recuperar e restabelecer existe? Sim, existe. Precisamos fazer com que isto aconteça? Sim, precisamos, sob pena de que se não o fizermos, comprometeremos o nosso futuro, mais ainda, do que o nosso presente, que já está comprometido.

(*) Renato B. Da Silva, Engenheiro Agrônomo, Coordenador da ITEC/UCS. Universidade de Caxias do Sul.

O RS e a Rocha Fosfática – Parte II (por C. Renato B. Da Silva)

O RS e a Rocha Fosfática – Parte II (por C. Renato B. Da Silva)

A demanda de fertilizantes no Brasil tem crescido de forma mais intensa que a própria produção de grãos e assemelhados. O Brasil ocupa hoje o 2° lugar no ranking de países exportadores de produtos agropecuários, sendo superado apenas pelo USA, líder inconteste do setor. Na produção e consumo de fertilizantes, ocupamos o 4° lugar, ficando abaixo do USA, União Europeia e China.
Consumimos três vezes menos que o USA e, duas vezes menos que a União Europeia. Há um espaço enorme para a produção de fertilizantes, ainda que seja mantida a área de produção atual. Particularmente nos fertilizantes fosfatados, que são de extrema importância nas adubações de nossas culturas de grãos e pastagens, pois nossos solos agrícolas são caracteristicamente pobres no elemento fósforo, temos possibilidade de crescimento intenso do uso. Sua demanda é crescente. Temos uma dificuldade séria para a produção destes; importamos 65% da rocha fosfática, que atinge a quantidade de 1.700.000 toneladas anuais. Para atender a demanda do RS, SC e PR, que é de 700.000 toneladas anuais, importamos toda esta quantidade. Não produzimos nada desta rocha nestes três Estados.

Ocorrência significativa de rocha fosfática, apenas a partir do Estado de São Paulo. As três grandes fábricas de adubo do RS, situadas na cidade de Rio Grande, importam 100% da matéria-prima (no caso, rocha fosfática) para atender a sua produção. Em termos de balança comercial, precisamos dispender U$126.000.000 anuais, para pagar a rocha fosfática que ali chega, não estando incluso neste valor o custo do frete marítimo, que onera mais ainda os valores dispendidos. Nestes custos estão incluídos os valores pagos para a mão de obra necessária para mineração e beneficiamento inicial, que ficam nos países exportadores.

Há ocorrência de rocha fosfática na nossa região, com reservas avaliadas e ainda acrescidas de novas ocorrências, inclusive de origem sedimentar, são muito benéficas e de real importância econômica e social para o RS, além dos estados vizinhos e dos municípios onde estão inseridas as reservas. A exploração racional, ética e sustentável desta riqueza é imprescindível para o resgate econômico e social de uma região deprimida por cerca de sete décadas.

C. Renato B. Da Silva, Engenheiro Agrônomo, Coordenador da ITEC/UCS. Universidade de Caxias do Sul.

O RS e a Rocha Fosfática – Parte I (por C. Renato B. Da Silva)

O RS e a Rocha Fosfática – Parte I (por C. Renato B. Da Silva)

Parte I

(por C. Renato B. Da Silva)

Desde a década de 60 a agricultura gaúcha tem se desenvolvido acentuadamente. Paralelo a isto a indústria de insumos cresce também vertiginosamente. Agronomicamente este crescimento está sustentado no uso de insumos, entre os quais o fertilizante tem posição destacada. O uso de corretivos de ph, adubações corretivas e de manutenção de N, P, K, são tecnologias validadas e de uso corrente entre os agricultores. Decorrência disto, a produtividade e a produção agrícola cresceram significativamente e continuam crescendo até hoje.

Ora o crescimento do plantio agronomicamente correto, pressupõe o uso de fertilizantes a níveis adequados, não só para corrigir, mas também para repor os elementos retirados pela colheita, de maneira que os níveis de fertilidade melhorem e mantenham-se a níveis desejados. Nas décadas de 60 e 70, instalaram-se várias indústrias de fertilizantes no Rio Grande do Sul, como Adubos Trevo, Fertisul e Serrana, todas elas na cidade de Rio Grande; um porto marítimo, pois três coisas são fundamentais para a produção de fertilizantes de N, P, K: os minérios de P2 O5 e K, e a ureia, que é de origem do Petróleo. Um porto, onde estes componentes usados em grande escala e importados, chegam através de navios, barateando o seu custo e viabilizando o seu uso pela agricultura.

Seis décadas depois, o consumo de fertilizantes aumentou, a produção e a produtividade agrícola também. Para o elemento de maior deficiência nos solos da nossa região, no caso, o fósforo, importamos para a produção no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, 100% da rocha fosfática de países como o Marrocos, Argélia, Líbia, Israel e Togo. O custo do transporte onera muito o preço final do produto em Rio Grande. Divisas são gastas para pagarmos os custos da extração e transporte até o porto.

O produtor que é o usuário final, paga este custo, e o do transporte até sua propriedade, o que não é pouco. Mas isto pode mudar no curto prazo. Novas possibilidades muito positivas, trazem ótimas perspectivas para nossa região, seja na produção industrial, seja na produção agrícola, seja na exportação e em toda cadeia envolvida, através da geração de trabalho e renda para todos.

Renato B. Da Silva, Engenheiro Agrônomo, Coordenador da ITEC/UCS. Universidade de Caxias do Sul.