Dançando a vida: a história de uma instrutora

Todo profissional possui motivos para se esforçar ao máximo no cumprimento de suas atividades. No caso da técnica em contabilidade Mariana Duarte, 25 anos, é a paixão pela dança que a motiva a sair da cama todos os dias.

Prestes a concluir a formação no magistério, Mari – como é chamada pelos amigos – começou a trabalhar como instrutora de danças muito nova, com apenas 12 anos. “Comecei a dançar em um grupo de CTG aos oito anos, logo que mudamos para Lavras. E então, quando meu instrutor no Lanceiros do Batovi foi embora me passou a tutela do grupo”.

Santa-Mariense de nascimento mas lavrense de coração, a Prenda Adulta do município de Lavras teve que amadurecer muito cedo. “Logo depois que assumi a invernada artística do Lanceiros, perdi minha mãe. Sinto muita saudade, porque éramos muito amigas. Tenho certeza que ela seria minha fiel companheira em tudo o que faço”.

Em 2012, depois de passar por alguns outros grupos, Mariana fundou o Herdeiros de Bravos. “O grupo é a minha vida. Tenho mais ganhos emocionais do que financeiros mas não me vejo sem meus alunos”.

Profissionalmente, no momento Mariana atua como estagiária na Secretaria de Turismo do município, mas dedica – ao lado do amigo Jerônimo – quase 80% do seu dia para a dança.  Eles lideram todos os grupos da invernada artística do recém fundado CTG Marco das Águas, que conta com cerca de 65 alunos. “O CTG tem me trazido uma enorme alegria. Em pouco tempo de trabalho já conquistamos nosso espaço no meio tradicionalista e mostramos que viemos para brilhar, mas sempre com muito esforço e dedicação”.

Mariana, apesar de ainda ser muito jovem e morar com o irmão Matheus na casa da avó, já divide os futuros planos de vida com um companheiro. “Estou com o Nelsinho, entre muitas idas e vindas, há 12 anos e este ano noivamos. Ele é meu grande parceiro, meu companheiro em todas as ideias, mesmo agora, morando em cidades diferentes estamos sempre conectados. Ele é parte essencial no Herdeiros, é ele quem transforma em palavras e músicas as ideias que temos para os grupos”.

Apesar do pouco tempo que resta em seu dia-a-dia, já que além do estágio, do colégio e da instrução aos grupos Mariana também ensaia para participar de concursos de dança, ela ainda acha momentos para se dedicar ao lazer. “Gosto de sair com meus amigos ou aproveitar os momentos de descanso indo pra “fora”, no meio do campo. Mas também adoro assistir filmes baseados em fatos reais e amo ler romances e literatura gaúcha. Porém, atualmente ando fissurada pela história da Alice no País das Maravilhas”.

Dedicada, persistente e inquieta são três palavras que fazem parte do vocabulário dessa “guria” que não espera que as coisas aconteçam ou que caiam em seu colo. “Não tenho nenhum grande arrependimento, sou do tipo que pensa que as coisas acontecem porque tem que acontecer. E eu prefiro fazer as coisas que me dão vontade, do que me arrepender por ter perdido oportunidades. A dança mudou a minha vida, foi minha válvula de escape nos momentos ruins e é sempre minha primeira e melhor opção”.