Fernando Tallarico, diretor da Águia Fertilizantes

Em coletiva de imprensa, o diretor da Águia Fertilizantes, Fernando Tallarico, falou sobre o desenvolvimento do Projeto Fosfato Três Estradas (PFTE)

Na última quarta-feira, 10 de março, o diretor da Águia Fertilizantes, Fernando Tallarico, conversou com jornalistas sobre o processo de licenciamento, cronograma e as melhorias do PFTS.

Fernando Tallarico, diretor da Águia Fertilizantes, falou sobre a consolidação da empresa no Rio Grande do Sul e o desenvolvimento do Projeto Fosfato Três Estradas. Na entrevista o Tallarico destacou que a crescente demanda de fertilizantes no país despertou o interesse da empresa em pesquisar minerais para atender o setor agrícola. Os fertilizantes são indispensáveis para a agricultura, entre os principais elementos para a produção estão o nitrogênio (produzido pela indústria do petróleo), o potássio e o fosfato (produzidos pela indústria mineral). O Rio Grande do Sul é considerado um dos principais produtores e exportadores de commodities agrícolas do Brasil, desta forma, os fertilizantes estão entre os itens de extrema importância para esse mercado. 

As pesquisas minerais no RS, na cidade de Lavras do Sul, iniciaram há cerca de 11 anos atrás. Naquela época, 50% do minério utilizado na indústria agrícola brasileira era de origem importada, hoje, em 2021, esse número chega a 60%. No Rio Grande do Sul não existe nenhuma opção de fonte de fosfato, o que faz com que esse insumo seja 100% importado. Tallarico destacou que atualmente o fosfato utilizado no estado é importado de países do norte da África, chegam ao RS através do Porto de Rio Grande e passam por processos químicos antes de chegar até os produtores. Desta forma, o fosfato entra em nosso país como um material importado, isento de imposto, não gerando arrecadação de impostos regional. “A riqueza dessa indústria acaba retornando para seus países de origem, principalmente o Marrocos e Argélia, maiores produtores do setor”, destacou o diretor.

O objetivo principal da empresa é a criação de um ciclo de produção e riqueza riograndense, o  diretor afirmou que a Águia Fertilizantes não tem nenhuma perspectiva de exportação do produto. “Não vamos levar o material até o porto, iremos vender a partir do município, assim como é feito com o calcário nas cidades vizinhas.” A extração desse minério irá possibilitar a produção de um fertilizante ambientalmente correto produzido na campanha, muito próximo às regiões agrícolas, o que tornará esse produto ainda mais competitivo devido às condições de logística.  

Trajetória do PFTE

O projeto sofreu diversas melhorias ao longo do tempo. Atualmente a Águia Fertilizantes solicita a Licença de Instalação para a 1 fase do PFTE. Tallarico salientou que essas melhorias só foram possíveis através de tecnologias atualmente disponíveis, isso possibilitou a expansão e melhora da utilização do recurso mineral, considerado um bem de interesse comum e de extrema relevância para a região. Para o diretor, o projeto prevê a geração de riqueza no local de origem do produto, empregando a população da cidade e pagando impostos dentro do município de de Lavras do Sul. A empresa estima um incremento de até 7% na arrecadação do município.

Entenda o processo de licenciamento

  • Licença Prévia (LP): concedida após o órgão avaliador considerar o projeto viável ambientalmente
  • Licença de Instalação (LI): concedida após o órgão avaliador considerar que o detalhamento do projeto está de acordo com suas diretrizes
  • Licença de Operação (LO): concedida após o órgão avaliador verificar se todos os detalhamentos foram cumpridos, apenas a partir deste momento é que o empreendimento pode começar a operar

Melhorias da Fase 1

A primeira fase do Projeto previa 4 anos de extração do minério. Com as melhorias, o período de extração saltou para 18 anos. Outra questão de extrema relevância é que o minério lavrado será totalmente utilizado para produção de Fosfato Natural de Aplicação Direta, sem a utilização de água e sem produção de rejeitos. O beneficiamento do minério não envolverá nenhum tipo de adição química. A empresa acredita que o Fosfato Natural poderá receber uma certificação de produto orgânico. Para Tallarico, pensar em produtos orgânicos é um caminho sem volta e o Fosfato Natural será uma alternativa também para os produtores de orgânicos e agricultura familiar, além da agricultura convencional.

Dentre as modificações da 1 fase PFTE, está prevista a eliminação da barragem de água, a eliminação da barragem de rejeitos, e também a redução de cerca de 86% na área inicialmente projetada, fazendo com que o impacto na superfície se torne muito menor do que era esperado. Essas alterações acabam por tornar o projeto mais simples e de pouco impacto ambiental.

ENGENHARIA

Responsável Técnica: Tânia Walter,  Arquiteta e Urbanista 

Tallarico afirmou ter muito orgulho do trabalho feito pela empresa gaúcha, Grupar Soluções em Eficiência Energética, de Santa Cruz do Sul, responsável pelo desenvolvimento do projeto arquitetônico e de energia fotovoltaica. Segundo o diretor, além do processamento de minério realizado a seco, o projeto conta com um conceito que prevê zerar a emissão de carbono, também a utilização de energia fotovoltaica, 0% de consumo de água, coleta e recirculação de água pluvial. Todas essas iniciativas apontam para uma produção ambientalmente amigável, demonstrando o comprometimento da empresa com as boas práticas ambientais.

O custo de capital estimado de investimento é de 55 milhões de reais, mas, Tallarico afirma que, já foram investidos no estado cerca de outros 60 milhões de reais, valores destinados às etapas de pesquisa e estudos que envolveram a descoberta de depósito mineral. Questionado do porquê a Águia Fertilizantes optou por buscar investidores externos, o diretor contou que a opção de buscar na Austrália,  país de origem dos principais investidores,  existem fundos de investimento específicos para empreendimentos que tenham as características do PFTE e por conta disso, a opção mais lógica foi justamente buscar esses parceiros lá. 

A fase 1 do PFTE prevê a contratação de mão de obra local, serão cerca de 80 vagas. Contudo, o diretor salienta que é  preciso entender que o ganho da sociedade lavrense também ocorre a partir do valor agregado, do que vem em conjunto com estas contratações e a instalação do empreendimento. As estimativas é que hoje para cada 1 emprego gerado, existem cerca de 3 indiretos. Também é importante lembrar que o município será beneficiado com o incremento na arrecadação de impostos e a criação de uma cadeia produtiva local.

Quanto ao cronograma do projeto, Fernando explicou: “Não podemos fazer nada antes da LI (Licença de Instalação). Os relatórios técnicos já foram enviados para apreciação da FEPAM e a Águia Fertilizantes aguarda a obtenção da licença para dar início às obras.” 

Conheça as Fases do PFTE

A coletiva aconteceu de forma remota via plataforma do google meet. A empresa espera realizar, entre os meses de março e abril, uma série de encontros online com a comunidade.
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