Mineração e a importância do fosfato.

A economia do Brasil sempre teve uma relação estreita com a extração mineral, e no Rio Grande do Sul não foi diferente. Um dos principais exemplos é o surgimento de Lavras do Sul, cidade conhecida por nascer a partir da descoberta de depósitos minerais oriundos de formações ígneas e sedimentares. Foi no final do século XVIII que ricas jazidas de ouro foram identificadas na região, o que fez com que Lavras do Sul recebesse a fama de “Terra do Ouro”. Desde então, ocorreram diversos ciclos de mineração, que durante décadas estiveram focados neste tipo de minério.

O cenário começou a mudar a partir de 2007, quando a antiga crença de que o Estado do RS não tinha vocação geológica para ocorrências de fosfato, foi derrubada após a realização de pesquisas geológicas em Lavras do Sul.

Descobriu-se, através de pesquisa de ouro da Mineração Santa Elina (2008), que na região, além de ocorrer diversas concentrações de minerais do Estado (segundo estudo da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – CPRM), a região possui jazidas de fosfato com viabilidade técnica e econômica para extração, comprovada pelo intenso trabalho de pesquisa efetuado pela Águia Fertilizantes nos últimos oito anos.

O fósforo, componente natural de animais e vegetais, é o grande responsável pela geração de energia para produção vegetal, já que é crucial na fotossíntese e para a reprodução, além de participar ativamente do processo de crescimento e sustentação dos vegetais. Em animais ruminantes, este sal é requerido para digestão da celulose e síntese de proteína microbiana, sendo essencial para garantir um bom desenvolvimento corporal e maior ganho de peso. Por isso, junto com o nitrogênio e o potássio, é um dos principais nutrientes encontrados em fertilizantes inorgânicos, insumo insubstituível e cada vez mais necessário na agricultura e na suplementação animal.

Na produção agrícola, os fertilizantes são responsáveis por 30% do custo dos agricultores, devido principalmente ao grande aumento nos preços de seus principais componentes. Atualmente, o mercado brasileiro possui uma forte dependência externa de fosfato, importando cerca de 59% para atendimento do consumo interno. Deste total, 28% do consumo está na região sul do Brasil, sendo 13% exclusivamente do RS. Dentro deste contexto, o governo do Rio Grande do Sul considera alguns projetos, como o de extração de fosfato em Lavras do Sul, estratégicos para alavancar a geração de emprego e consequentemente a economia.

Reconhecida por ser a única cidade no Estado com remates de gado geral em todos os finais de semana, Lavras do Sul hoje também mostra seu potencial para a agricultura. Isto demonstra a importância da descoberta de uma jazida de fosfato em suas terras, já que segundo estudos, reduzirá em 80% a dependência da matéria prima hoje importada. Um ciclo econômico que beneficiará não só a região, mas todo o Estado do Rio Grande do Sul.